violência doméstica/ nutrição tóxica x relação saudável

gostaria de uma análise, conselhos e exercícios sob o ponto de vista da psicanálise sobre essa dinâmica: tenho a sensacão de comi muita merda dos meus pais, sendo saco de pancada deles, principalemnte de minha mãe. ela não praticava violência fisica mas muita violencia psicológica, sendo uma mãe narcisista. eu tinha que engolir tudo que ela mandava. era impossível processar tanta violência e humilhação. eu não podia responder ou questionar porque ela praticama a ditadura do silêncio. hoje, com 56 anos, percebo que escolho homens fracos, sempre os caçulas, para usar como saco de pancada e também de humilhação. homens que aguentam tudo. parece uma dinâmica sado-masoquista. percebo que eles querem se vingar de mim como eu queria me vingar da minha mãe. como sair desta situação repetitiva e construir um padrão saudável de relcionamento, no qual a tônica é o afeto e a compreensão. onde as pessoas se nutrem com respeito e amor?


Na infância, você foi forçada a uma passividade absoluta

quando uma criança sofre violência psicológica de quem deveria amá-la, ela não consegue processar o ódio (pois depende daquele objeto para sobreviver) - eu não preciso mais amar e nem idolatrar o meu agressor (sindrome de estocolmo)

Identificação com o Agressor: Para deixar de ser a vítima impotente, o psiquismo assume o papel de quem domina. Hoje, você "atua" o papel da sua mãe, e coloca o homem no lugar daquela criança que você foi.

Sustentar o Vazio: O relacionamento saudável (afeto e nutrição) pode parecer "tedioso" ou "assustador" inicialmente para quem está acostumado com a descarga de adrenalina do conflito. Você precisará aprender a tolerar a paz

A Carta do Não-Dito: Escreva uma carta para sua mãe (não é para enviar). Despeje nela toda a "merda" que você engoliu. Diga tudo o que o silêncio dela impediu. O objetivo é dar um destino simbólico à raiva, para que ela pare de transbordar nos seus parceiros.

eu virei uma pessoa tão prepotente quanto à minha mãe, procurando pessoas e parceiros "inferiores"para humilhar. isso me mantém num lugar infantilizado. Mãe, eu não preciso ocupar o seu lugar e nem preciso ser mãe dos meus irmãos. não preciso repetir com eles este ciclo de violência. eles não tiveram culpa de nada. eu me liberto deste ciclo de violência, dizendo a mim mesma que hoje eu sou adulta e livre. não preciso repetir os comportamentos tóxicos dos meus pais. eu posso ter um pensamento autônomo. livre, independente que reflete a pessoa adulta que sou hoje. os meus parceiros não são eu quando era crianca e nem são meus irmao caçulas. eles não precisam passar pela mesma merda que eu passei imposta pelos adultos, quando inferiorizam as crianças somente porque elas cagam. todo mundo tem direito de cagar. eu não preciso empurrar a minha merda goela abaixo para nenhum parceiro e nem preciso engolir ou limpar a merda dele. somos adultos e já sabemos como e onde cagar. essa merda não deve ser jogada em ninguém e sim jogada no vaso sanitário onde daremos descarga. os meus parceiros não são bostas infantilizadas. sao pessoas adultas, auto-responsáveis que levam a vida adulta deles. como adultos, temos relaçoes horizontais. eu não tenho o direito de jogar as minha raiva em cima dos meus parceiros e usá-los com saco de pancada.

O Mapeamento do Impulso: Sempre que sentir o desejo de humilhar ou "bater" verbalmente no seu parceiro, faça uma pausa de 10 segundos. Respire e localize a sensação no corpo. Nomeie: "Isso é a minha dor de 10 anos de idade querendo sair". Escolha o silêncio não como ditadura, mas como preservação do outro.

quando é que eu me sinto com raiva: quando eu me sinto desrespeitada, não vista.

Como você se sente ao perceber que, ao humilhar esses homens, você está, de certa forma, repetindo o comportamento que mais te feriu na vida?

foi a parte que mais me tocou. um insight poderoso, vital para me tirar desta padrão sado-masoquista.

Para chegar ao lugar onde as pessoas se nutrem, você precisa primeiro aprender a se nutrir sem precisar "devorar" o outro. O amor saudável nasce da capacidade de reconhecer o outro como um ser separado de nós, e não como uma ferramenta de cura para nossas feridas infantis.

Exercício: "Pausa da Auto-Observação": Quando sentir o impulso de "devorar" (cobrar, sufocar), pare. Pergunte-se: "O que estou sentindo agora? Fome física, medo, ansiedade ou solidão?"

acho que sinto abandono e medo da solidão

Exercício: "Ensaio de Novas Respostas": Antes de reagir com ódio ou raiva, ensaie mentalmente (ou escreva) 3 maneiras calmas de expressar sua frustração

pat, pare de ser uma menina mimada. o outro não é responsável por te alimentar. você já é uma pessoa adulta e pode cuidar da sua própria alimentação.

mãe, eu sinto muito que a minha avó estava em depressão pela perda do filho e não conseguiu dar de mamar e nem alimentar você com sensaçoes positivas, te humilhando, deixando você com fome. também lamento que você tenha me deixado horas no berço por não conseguir escutar o meu choro. por isso, me deixou com fome, o que me deixou com raiva de me sentir abandonada. isso passou. eu sou uma pessoa adulta agora e não preciso que você venha para me dar comida. eu posso cuidar de mim mesma. eu posso preparar o meu alimento. eu não preciso ficar com raiva para ser vista. eu posso ver as minhas próprias necessidades. outra coisa, você não é a única que pode me alimentar. posso ser nutrida por outras pessoas, por meu pai, meus irmãos, comunidade, parceiros, amizades.






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