Viver numa comunidade. Uma comum idade.
Glai, minha linda, quanta gratidão por essa aula. Quanta gratidão por mulheres que se conectam a mulheres e expandem o campo feminino.
Hoje não só senti o meu corpo, como senti o meu corpo desabrochar. Esse corpo de mulher. Um corpo que envelhece e que se torna mais potente, não em força, mas em sabedoria. Em paz. Um corpo que quer envelhecer, que precisa envelhecer e é tão bom. Um corpo que pode ser gordo velho, flácido, feio e que não tem medo de ser descartado pela sociedade. Quanta prepotência essa a da sociedade achar que pode descartar um corpo. Quanta prepotência essa dos homens, das pessoas. É um pensamento tão infantil esse. Só quem pode descartar o corpo é o tempo. O outro não pode me descartar. Só quem pode usar o corpo é o tempo. O corpo do outra pessoa não pode ser usado porque o corpo não é um objeto. Com isso, saio do capitalismo. O corpo de uma mulher não é um campo de batalha política ou de poder. Com isso, saio da guerra, da luta. Me sinto em paz. O corpo da mulher, de qualquer mulher, é uma potência privada. A chave não está fora. A chave é o prazer, a paz, a comunhão, a alegria. A chave está dentro. Não adianta trancarem as mulheres. Colocarem cintos de castidade. O corpo tem uma sabedoria interna que vence a morte. Quanta prepotência da sociedade achar que pode determinar o valor do corpo de uma mulher. Não somos mercadorias. Não samos escravas. O corpo, qualquer corpo, está fora dos sistemas econômicos. Não é moeda de troca. O valor dele está em existir e não em existir para satisfazer ao outro. Pulsão de vida. Respirar. Amar. Viver numa comunidade. Uma comum idade. E essa comum idade é a idade do respeito a qualquer ser vivo, não importando a forma.
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