Livro: a coragem de criar
Insights:
Brincar é coisa de gente preguiçoso. Você tem que ajudar nos serviços da casa (não ter direito ao ócio).
Todoas as vezes que eu começo um projeto meu, aparece alguem que eu tenho que olhar, cuidar, prestar atenção. Agora é o meu novo namorado pernambucano que parece ter alzheimer precoce. É como se o super-ego ou uma censora interna me direcionasse ao cuidado do outro porque é produtivo e me fastasse da criação (coisa de gente sem ter o que fazer).
Eu não tenho direito de brincar = eu não tenho direito de criar = eu não tenho direito de ter filhos (eu preciso me sustentar = eu preciso cuidar dos filhos dos outros (babá) para garantir o meu sustento - ter casa, comida.
eu não tenho direito a ter uma vida própria - preciso ajudar a minha mae, para não ser chutada fora de casa (a casa dela).
Fase anal: mãe, eu quero fazer cocô, mas eu não quero te dar. Esse cocô é meu. Ele me pertence. Estou cansada de dar o meu cocô pra você. Sinto uma ansiedade e um cansaço de ter que produzir o tempo todo para o outro. De dar o que é meu para o outro. De lutar para que o outro não roube o que é meu.
Também essa sensação de que eu não tenho com quem brincar. Vivo sozinha. Se eu quiser brincar, tem que ser só. Não tem ninguém pra brincar comigo.
Sensação de que fui forçada a ser adulta cedo. Gostaria de voltar no tempo e brincar. ah, mas brincar não dá em nada. dá sim! brincar é uma permissao para ser feliz. eu não tive essa permissao. eu nao brinquei. minha mae não deixava. É uma contradição porque eu tive muitos brinquedos. Minha mae nao queria me ver brincando. ela queria me ver trabalhando.
Terapia: uma amiguinha pra brincar sem nenhum objetivo. Só porque é bom, saudável, lúdico. Só porque eu tenho direito.
Eu já li demais. Eu preciso escutar a voz que vem de mim. Parei o livro na metade.
A minha mãe não é a lei. O meu pai nao é a lei. Existe uma Lei acima de todos, uma jurisprudencia. Mas eu também posso desenvolver as minhas leis internas. Na minha lei, brincar não é fora da lei, brincar é como eu respiro, é estar comigo, é ter tempo pra mim. Brincar é uma forma de explorar o meu próprio eu, minhas potencialidades.
Também a sensacão de que quando eu quero brincar, eu nao tenho niguém. Para ter companhia, tenho que virar adulta, tenho que fazer o que o outro quer.
Eu tô cansada de ser adulta, eu quero brincar, mas eu só arrumo gente que quer que eu cuide dela (amigos, namorados) - codependencia. eu quero encontrar alguém que queira brincar comigo.
brincar é para eu sentir prazer. é leveza. eu quero ter alguém para brincar.
Brincar é uma forma que eu tenho de me autorizar a ser eu.
agora que sou adulta, ninguém vai me proibir de brincar, de gritar, de falar, de ter prazer... ninguém vai substituir o meu gozo por repressão, por trabalho forçado.
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