seskso não é tensao. é tesão
Sobre a minha visão de que um homem (homem-penis) é uma arma que pode ser disparada a qualquer momento
Pra mim, o Carlos é uma arma que a qualquer momento pode disparar contra mim. É só puxarem o gatilho que ele aponta para o meu corpo. Eu sou o alvo. Como um penis que ao encher de sangue, explode.
A sensação é de que ele é uma arma engatilhada apontada pra mim. Eu sou o alvo.
Por que ele está apontando essa arma pra mim? Por que eu sou mulher, por que eu sou nordestina, por que eu sou baiana? Porque eu sou a vítima desta relação patriarcal. As mulheres sempre são as vítimas. As mulheres sempre são os alvos. E as mães sempre apontam essas arma-dilhas para as filhas. As mães fálicas apontam seus penis disparadores para as filhas. De novo, sou o alvo. Sou quem os outros colocam contra a parede. Sem saída. Eu sou aquela a quem as pessoas (homens e mães) apontam seus canos longos e fumeguentos. A filha ingênua. A mulher ingênua. O patriarcado sempre aponta as suas armas para a ingenuidade. Para a ingênua-idade. Mas eu não sou mais ingênua. Eu não sou mais a tolinha que é pega desprevenida. Eu não sou mais a idiota, a confusa, a sonolenta. A que vira alvo dos algozes. Eu sou uma mulher adulta que já entendeu que não precisa ser alvo de ninguém. Não precisa ser alvo das armas duras. Não precisa ser alvo da mãe histérica. Não precisa ser alvo do marido imbecil. Eu não sou mais o alvo. Eu sou uma pessoa. Eu sou gente. Inteira. Plena. Lúcida. Eu não preciso mais que apontem uma arma na minha cabeça. Que estourem os meus miolos. Que fodam com a minha cabeça ou com a minha mente. Eu sou livre e posso sair desta prisão mental. Como se o Carlos fosse o carcereiro. Como se ele tivesse a chave para abrir a minha vagina. Como se a minha vagina estivesse presa e precisasse ser libertada por algum homem-penis. O Carlos não é um penis. O Carlos é um homem. Talvez ele seja o filho penis da mãe fálica. Da mãe mandona. Inexorável. Ele não é o penis da mãe. Eu não sou a vagina da mãe. Eu sou livre. A minha vagina é livre. Em liberdade, não há cárcere, não há carcereiro. Não há chave. O penis não é uma chave que irá me libertar da prisão. Não existe prisão..não existe alvo. Estou livre. Uma mulher livre deseja um homem livre. De quem? Da mãe carcereira. Da mãe que prende os filhos na torre. Não existe torre e nem existe mãe. Existe liberdade. A chave não está fora. Não está dentro. A chave é o meu coração no meu corpo livre.
O penis não é uma arma atirando contra uma vagina. O espermatozoide não é uma bala. O desejo não é de morte. Não é de abater uma mulher. O desejo é vida. Amplidão.
A vagina não está presa porque ela não cometeu crime nenhum. Ela não é adúltera. Ela não enganou ninguém. Eu nunca disse que era um penis. Eu nunca disse que era um poço. Nem que era um monstro. Eu vagina não sou uma criminosa. Ter prazer não é crime. A religião judaico cristã disse que era - pecado. Ter prazer não é pecado.nao é crime. A minha nudez não será castigada. Eu não sou alvo. o Carlos não é uma arma. Eu não quero ser morta apenas porque sinto prazer. Não quero ser presa apenas porque sinto prazer. Não é crime e eu não sou criminosa. Em que momento alguém julgou uma mulher por sentir prazer? Julgou um homem por sentir prazer? 007. Os homens não são espiões da vagina para descobrir o que tem dentro da vulva. Quantas camadas. Quantas personas tem uma vagina? Quantos nomes tem essa heroína de mil faces? Quantas máscaras? É cansativo. É exaustivo. Ter que ocupar tantos papéis nos quais as mulheres são sempre acusadas, culpadas, julgadas. Os homens também. Não é pra fazer amor, não é para ter prazer. Só pode reproduzir. Produzir. Criar não. Amar não. Amar só a Deus Pai e Maria Mãe. Liberdade para todas as vaginas e todos os penis. Sim, é por prazer. Sempre foi por prazer. Porque criar é uma prazer. Filho é consequência deste prazer. Não é crime ter prazer. É a coisa certa, criar por prazer. Esse é o acerto. O erro é o projeto como objetivo. Parem de me julgar. Parem de julgar a vagina por sentir prazer. Eu sinto prazer. Eu sinto prazer. Quero continuar a sentir prazer. De me expressar, de viver, de ser quem sou. Quem pode viver com uma arma apontada para a cabeça? Quem é a cabeça? A vagina (a cabeça de baixo). Quem é a arma? O penis. Penis não é arma. Vagina não é a cabeça de baixo. Penis nao explode. Vagina nao explode. Gozar não é explodir. Gozar é gozar. Pronto. Existe uma arma apontada para a minha cabeça. A minha cabeça é a minha cabeça mesmo e arma é patriarcado. Cacetete. Minhas mãos estão presas. Os penis polícias dizem que eu preciso manter a ordem. Qual ordem? Tô confusa. Homens primeiro, mulheres depois. O que significa isso? Essa sequência? Os homens são mais importantes. As mulheres menos. Por que? Porque é assim. A ordem é assim. Quartel general. A minha mãe era uma generala com um cacetete na mão. Herdou do pai que era um escroto. Escroto não é um homem mau. Escroto é um saco. Não é mau e nem bom. É criativo. Não é Papai Noel com seu saco de brinquedos. E nem o capitão com o penis gancho. No dia a dia, fico esperando em que momento o Carlos vai explodir. Fico tensa, esperando. Alerta. O saco cheio dele vai explodir. Saco não explode. Saco enche e esvazia. Carlos, por que você explode se você não é uma saco escrotal? Ele só faz parte de você. Ele não é você. Duas bolas. Não são nem boas e nem más. Aff! Quantas confusões seculares. Gente, deixem a genitália em paz. A genitália não é nem boa e nem má, é criativa. Me deixem em paz! Deixem a minha vagina em paz! Sexo não é uma guerra, uma luta, uma loucura. É encontro, harmonia, calmaria. Sexo não é arriscado. Eu não preciso me sentir insegura numa relação como se eu estivesse numa zona de conflito. Não é conflito. O penis não é um conflito armado. Sexo é redenção. Imersão. Não é tensão. É tesão.
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