O Diálogo com a Imagem (Imaginação Ativa):
Fique diante de um espelho em um momento de paz. Olhe para o seu rosto, especialmente para as áreas que você menos gosta. Em vez de criticar, pergunte à essa "proteção": "Do que você está tentando me proteger?". Ouça a resposta sem julgamento. Agradeça a essa gordura/proteção por ter te mantido segura na adolescência, mas informe a ela que agora, aos 56 anos, você já consegue se defender sozinha
Rito de Devolução:
Escreva em um papel todas as palavras que sua mãe usava para te rotular (galinha, oferecida, sem vergonha). Depois, vá para um lugar seguro e queime esse papel ou enterre-o. Mentalize: "Estou devolvendo a você o que nunca foi meu. Eu libero meu rosto para ser visto".
Fotografia Consciente (Selfie Terapêutica):
Uma vez por semana, tire uma foto sua. Não para postar, mas para observar. Procure um detalhe — apenas um — que você ache gentil em si mesma (o brilho nos olhos, o formato da boca). O objetivo é treinar o cérebro a ver a Pessoa, não a Acusação
O processo de individuação agora pede que você retire essa máscara de vergonha para que sua alma possa, finalmente, aparecer.
Você sente que essa "proteção" aparece mais em situações onde você se sente admirada ou quando se sente julgada por outras mulheres?
Eu não gosto do meu rosto. ele é esburacado e cheio de espinha. sinto que as pessoas estão analisando e julgando, dizendo que ele é sujo e seboso. tenho medo do julgamento delas. não acho que ninguém admira o meu rosto. muito pelo contrario, acho que as pessoas cospem em mim.
mãe, eu não sou nojenta ou escrota, fedida, feia, eu sou uma menina na menopausa, uma menina que envelheceu antes de virar mulher. uma menina que não pode ser mulher. que engordou no rosto para se defender de um abuso materno muito sério. de tantas críticas que você jogou na minha cara. de tanto ódio que você jogou na minha cara. de tanta vergonha que eu senti de ser a sua filha e ser tão maltratada, tão odiada como se eu fosse um ser abjeto. como se eu fosse uma boneca que você odiasse e quisesse ferir todo o tempo, quisesse cortar. quisesse me furar. usar uma faca para me cortar. eu não sabia mais como me defender de tantos improperios, de tanta injustica, de tanta maldade. eu quis esconder o meu rosto para sobreviver. eu não conseguia nem respirar de tanto ódio que você jogou em mim como se eu fosse a razão dos seus males, dos seus fracassos.
eu tive que me tornar velha para me defender de uma mae infantil que me odiava. foi pedrada demais. tive que amadurecer antes da hora. me tornar feia e desprezível.
O Rosto como "Escudo de Gordura": Na psicologia simbólica, a gordura e os problemas de pele (espinhas/buracos) podem atuar como uma armadura. Se o seu rosto for "feio" ou "sujo" (na sua percepção), você se sente protegida da acusação de ser "oferecida". O sintoma físico é uma tentativa desesperada da sua psique de provar que sua mãe estava errada: "Veja, eu não sou atraente, então não posso ser o que ela disse".
Reclame sua Beleza como Ato de Rebeldia: Aos 56 anos, você está na fase da vida que Jung chamava de Metanoia (segunda metade da vida). É o momento de desmascarar as mentiras da infância para encontrar o Self (seu centro verdadeiro). Manter-se escondida atrás da gordura ou do desgosto pelo rosto é continuar obedecendo às ordens de sua mãe
eu tenho direito de ter um rosto belo e atraente
O Ritual do Espelho (Diálogo com a Sombra):
Olhe-se no espelho em um momento de privacidade. Em vez de focar nas espinhas ou na gordura, olhe nos seus olhos. Diga em voz alta: "Eu não sou mais a projeção da minha mãe. Este rosto é meu, e ele sobreviveu a décadas de ataques. Eu permito que ele seja visto". Faça isso diariamente por 5 minutos
Imaginação Ativa com o Sintoma:
Feche os olhos e imagine a "gordura" ou as "espinhas" como se tivessem uma voz. Pergunte a elas: "Do que vocês estão tentando me proteger?". Ouça a resposta. Geralmente, elas dirão que estão tentando evitar que você seja "julgada como vadia". Agradeça à proteção, mas explique que, aos 56 anos, você já sabe se cuidar e não precisa mais desse escudo
Do abuso sexual que você sofreu na infância
obrigada, mas agora eu sei que todas as mulheres sofreram abuso, feias ou bonitas, velhas ou novas. a culpa do abuso não é da beleza, é do abusador. ela procura uma oportunidade, não um alvo.
você tem o direito de ser vista e admirada por sua beleza. você tem o direito de ser vista, Pat. se esconder não vai adiantar nada. você tem o direito de transitar na rua. você tem o direito de existir.
Toque e Limpeza Consciente:
Ao lavar o rosto, mude a intenção. Não lave como se estivesse tentando tirar uma "sujeira moral" ou sebo. Lave com carinho, usando as pontas dos dedos para sentir a estrutura óssea por baixo da pele. Esse rosto é o mapa da sua história; ele merece ser tocado com respeito, não com nojo.
Você estaria disposta a tentar o exercício do espelho por uma semana para observar quais emoções surgem quando você sustenta o próprio olhar?
estou disposta a deixar que meu rosto respire. estou cansada de sufocar a minha beleza com a minha rigidez materna. essa rigidez não é minha, é dela. eu não fiz nada errado. eu só queria ser feliz.
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