mulher sem vergonha na cara - constelação familiar
Se o seu rosto é "feio" ou "seboso", você prova para sua mãe que ela estava errada: "Veja, mãe, eu não sou atraente, ninguém me quer, então você pode parar de me acusar". A gordura e a acne funcionam como uma armadura para que nenhum homem se aproxime, mantendo você "segura" do julgamento dela.
mãe, os homens me querem e eu quero os homens. não tenho porque afastá-los e me manter longe deles. como mulher, é saudável ter relacionamentos homossexuais, mentira! isso é o que você queria, que eu me relacionasse só com mulheres, que eu ficasse presa ao seu clã, que eu não tivesse nenhum relacionamento com o meu pai ou a família dele por receio que ele fosse me machucar. queria me manter nas suas garras, na sua barriga. mãe, você não é onipotente. você não pode me desviar de conhecer o mundo e os homens. eles não são galinhas e nem galos. são gente, são pessoas. parem de sexualizar tudo, parem de me matar, matar a vida. parem com essa repressão sexual.
eu não quero mais me envolver com a família do Carlos porque eles sofreram muita repressão sexual e classificaram os homens como mau caráter. estou cansada desses clichês e de ter que defender dos homens achando que todos são bostas e merdas. homens são gente como eu. a repressão sexual é que nos faz ficar doentes. e os desvios nascem dai, da nao expressão da sexualidade.
mãe, eu nunca mais quero olhar na sua cara mentirosa que jogava na minha cara que eu era suja para você se sentir limpa. que dizia que eu era a puta da casa, para você se sentir a santa. maria, para mim, você não existe. você é uma figura projetada, uma narrativa, uma fantasia irreal. deus, você me julga sem nem me conhecer, sem nem saber quem eu sou, julga todas as mulheres? deus você não existe, nunca existiu, você é um personagem que mete medo nas criancas e em adultos infantilizados. eu me abstenho desta carga de ter que prestar contas a deus e a virgem maria, que nem existem. sao super-egos introjetados para nos fazerem nos sentir culpados. eu não gosto disso. eu não quero isso.
Eu agora escolho brilhar. Eu escolho que meu rosto seja visto como ele é.
meu rosto não é limpo e nem sujo. meu rosto é um rosto de gente.
eu não preciso mais usar uma armadura para me proteger do mundo de julgamentos que a igreja católica criou, no qual a mulher tem que ser casta e pura. eu e nem ninguém é casto e puro. somos gente, apenas, nem limpo e nem sujo. gente. este ideal de pureza é absurdo.
o meu rosto é um rosto de gente que tentou ser feliz, apesar de todas as repressões sociais.
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